Sindicato dos pilotos responde à administração da TAP, dizendo que “insulta a inteligência dos pilotos”

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O Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) tem agendado para hoje um plenário, no qual se decidirá sobre a marcação de uma greve de pilotos das companhias TAP e Portugália. Em causa está o Acordo de Empresa, firmado em dezembro, o qual, segundo o SPAC, não está a ser cumprido pela TAP. O presidente da Transportadora Aérea Portuguesa, Fernando Pinto, destacou ontem as consequências que a marcação de uma greve pode representar para o futuro da empresa numa mensagem enviada aos seus trabalhadores. O SPAC responde agora ao comunicado do presidente, dizendo que este “visa confundir e iludir os pilotos”.

A marcação de uma eventual greve por parte dos pilotos da TAP está a ser antecedida por uma guerra de comunicados. Depois do presidente da TAP, Fernando Pinto, ter enviado no final do dia de terça-feira, 14 de abril, uma mensagem aos trabalhadores, onde acusa o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) de “uma incompreensível quebra dos compromissos assumidos”, os pilotos reagiram esta quinta-feira, dia 15. A direção do sindicato responde, considerando que “o Governo e a TAP insultam a inteligência dos pilotos”. Para hoje está marcado um plenário dos associados do SPAConde será avaliado o recurso à greve.

O desentendimento entre as partes gravita à volta do Acordo de Empresa (AE). A TAP diz que “cumpriu rigorosamente a sua parte do compromisso assumido”, enquanto o SPAC argumenta o oposto. O ponto principal de divergência tem a ver com a recuperação do aumento anula do vencimento de senioridade, que foi suspenso entre 2011 e 2015, no âmbito das políticas de austeridade adotadas nos orçamentos de Estado desse ano. A TAP diz que este ponto “nunca fora apresentado nas negociações e só apareceu no último documento recebido a 9 de abril”, enquanto o SPAC sustenta que o Governo “concordou expressamente com esta reposição no processo negocial”.

Quanto à mensagem de Fernando Pinto, o SPAC diz que “visa confundir e iludir os pilotos sobre o que está verdadeiramente em causa e imputar-lhe, de um modo absurdo, a responsabilidade pelas consequências de atos praticados pela administração da empresa”. “Os pilotos não aceitam suportar perdas irrecuperáveis que revertem diretamente para o enriquecimento dos eventuais investidores, para a atribuição dos prémios aos gestores ou para o financiamento parcial dos ruinosos erros de gestão que têm sido cometidos com impunidade ao longo dos últimos anos”.

Para o SPAC o cenário é simples: ou o Governo e a TAP cumprem todos os acordos ou, caso contrário, “as consequências serão severas”.

A privatização de 66% do capital da TAP está em curso, tendo o Governo fixado o dia 15 de maio como a data-limite para os candidatos apresentarem as suas propostas.

Por: Celso Filipe | Fonte: Jornal de Negócios | Fonte (imagem): Aero Icarus

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