Scania desenvolve camião com controlo autónomo em parceria com a Universidade de São Paulo (com vídeo)

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A tecnologia de condução autónoma é uma área que vem sendo muito investigada em países como a Alemanha, o Reino Unido e os Estados Unidos, mas também há trabalhos nesta área que “falam” português. Exemplo disso é o projeto desenvolvido por alguns dos investigadores da Universidade de São Paulo (USP), que em parceria com a Scania apresentaram um camião com controlo autónomo.

O projeto vem sendo desenvolvido há dois anos e tem custo estimado em R$ 1,2 milhão (325.062€, aproximadamente). Mas o esforço valeu a pena: o protótipo — um camião Scania G360 6×4 — já circula pelo campus 2 da USP, em São Carlos (SP).

Vários dispositivos foram incorporados no veículo para possibilitar a direção autónoma, entre os quais pequenos motores que atuam no volante, um circuito que controla o acelerador e um computador que analisa dados de sensores e do sistema do camião para definir a próxima ação (acelerar, travar, fazer uma curva, etc.).

Substituímos os pés e as mãos do motorista por sistemas de atuação mecânica e eletrônica”

“Substituímos os pés e as mãos do motorista por sistemas de atuação mecânica e eletrónica. Depois, colocámos sensores para que atuassem como os olhos e os demais sentidos dos seres humanos”, comenta Denis Wolf, professor do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP e um dos líderes do projeto.

Wolf destaca que um dos desafios da equipa foi desenvolver um sistema seguro, mas que, ao mesmo tempo, se baseasse em recursos de baixo custo. À conta disso, os investigadores deixaram de usar sensores a laser (mais caros) e optaram por radares combinados com câmaras instaladas na dianteira do camião, por exemplo. Esses equipamentos atuam como olhos humanos: identificam formas e calculam a profundidade, entre outras coisas. Um GPS e alguns sensores que detetam movimentos bruscos do volante complementam o pacote.

A instalação de todos os artefactos é trabalhosa, mas o verdadeiro desafio para os investigadores é o desenvolvimento do software capaz de interpretar — em tempo real — as informações oriundas dos sensores. “As câmaras registram apenas cores, precisamos criar programas extremamente complexos para interpretar se o que está naquela imagem é um carro, uma pessoa, uma árvore ou a rua”, completa Wolf.

Desde 2014 o trabalho dos investigadores está focado no aperfeiçoamento deste sistema. São esforços que podem tomar bastante tempo, já que, para além do controlo autónomo, é necessário considerar o peso do veículo quando há carga, como fazer curvas de maneira suave e segura, entre outras variáveis.

Segundo a USP, os testes são feitos com base num rigoroso protocolo de segurança. Há, por exemplo, um pedal de travagem à frente do “lugar do pendura” para que alguém da equipa possa parar o veículo em situações de emergência. Além disso, é utilizado um simulador previamente à realização de determinados testes no camião.

Será o início do fim da função de camionista? Em princípio, não. Segundo os investigadores, o sistema autónomo deve atuar em rotas predefinidas para aumentar a produtividade e a segurança de operações de transporte. O condutor continua a ocupar o seu lugar dentro da cabine, assumindo a direção, por exemplo, quando o caminhão entra muma área com trânsito mais carregado.

Por: Emerson Alecrim (adaptado) | Fonte: Tecnoblog | Fonte (vídeo): Jornal Primeira Página | Fonte (imagem): USP

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