Ministério Público pede penas entre dois e 25 anos de prisão para assaltantes de camiões TIR

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O caso remonta a 2011 e 2012, anos em que diversas estações de serviço no norte e centro do país testemunharam uma vaga de assaltos a pesados de mercadorias. Os assaltantes de camiões roubavam a carga transportada por veículos portugueses ou estrangeiros e funcionariam de forma organizada, integrando um grupo de 45 pessoas. No âmbito das alegações finais do processo, que tiveram ontem início, o Ministério Público (MP) solicitou a punição, com penas de prisão de dois a vinte e cinco anos, dos 45 arguidos.

Durante as alegações finais, a procuradora do MP requereu a pena máxima para o alegado líder do grupo, um ex-empresário de Vila Nova de Gaia, Porto, por já ter cumprido pena pela prática de outros crimes, entendendo que tal “não lhe serviu de emenda”.

O grupo de 45 arguidos – acusado pelos crimes de associação criminosa, furto, recetação, branqueamento, falsificação de documentos e posse de armas proibidas – terá assaltado, no norte e centro do país, dezenas de pesados, reboques, semirreboques e tratores e furtado toneladas de artigos que, depois, foram vendidos a recetadores, entre 2011 e 2012.

Os camiões TIR, de empresas nacionais e estrangeiras, eram sempre assaltados quando estavam estacionadas em áreas de serviço, sendo o prejuízo superior aos dois milhões de euros, segundo a acusação do MP.

O `modus operandi´ era sempre igual: uns elementos do grupo procuravam e sinalizavam os alvos e outros furtavam a carga e vigiavam a operação para garantir que não havia operações policiais.

O presumível cabecilha do grupo terá criado uma pequena empresa de fabrico de tapetes para faturar e vender as cargas furtadas, que ia desde bacalhau, leite, produtos de higiene, água, ferramentas, instrumentos musicais a tijolos, acredita o MP.

A PSP realizou cerca de 100 buscas domiciliárias, apreendendo agendas, documentos, armas, munições, camiões, semirreboques e carros viciados.

“No armazém do arguido que acreditamos ser o líder não cabia nem mais uma rolha de tal cheio que estava”, frisou a procuradora do MP.

A prática destes crimes levou ao fecho de “várias” empresas por dificuldades, após o roubo dos camiões ou das mercadorias, alguns nunca recuperados, disse.

Acrescentando que “deixaram ainda má imagem de Portugal no estrangeiro”.

Segundo o MP, este processo “peca por excesso de prova”, desde “inúmeras” escutas telefónicas, impressões digitais em chapas de matrículas, vigilâncias, imagens de videovigilância dos locais dos furtos.

Dado o número de arguidos, as alegações finais continuam a 12, 17 e 23 de novembro.

Fonte: Lusa

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