Governo surpreendido pelo anúncio de greve dos pilotos de aviação civil

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Surpresa e incompreensão são os sentimentos reinantes da TAP e do Governo perante a notícia, avançada ontem ao fim da tarde, após o plenário do Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC), de que os pilotos da Transportadora Aérea Portuguesa decidiram marcar uma greve entre os dias 1 e 10 de maio. Pedro Passos Coelho reagiu ao início da noite, manifestando ao Jornal de Negócios não compreender a motivação dos pilotos e defendendo a forma como a negociação da privatização da TAP foi feita, mas não foi o único representante do executivo a reagir. Pires de Lima falou sobre o assunto em maior detalhe numa entrevista para a RTP.

“O Governo cumpriu o que assinou com os sindicatos, não esperava esta posição”. Foi assim que o ministro da Economia, Pires de Lima, reagiu ao anúncio da greve de 10 dias na TAP em maio.

Pires de Lima disse esta noite, no programa Grande Entrevista, na RTP, que no acordo assinado entre sindicatos e governo não foi proposta a cedência da companhia área portuguesa aos pilotos. Por isso, afirmou que não esperava a paragem de uma dezena de dias por parte dos pilotos. “O Governo cumpriu o que assinou com os sindicatos da TAP, não esperava esta posição”.

[Esta posição dos pilotos] “contraria a palavra e, mais do que a palavra, aquilo que foi escrito e assinado pelos representantes dos sindicatos dos pilotos na última semana de dezembro de 2014”, sublinhou.

Questionado pelo jornalista Vítor Gonçalves sobre o facto de os pilotos invocarem que o Governo não indicia ser sua intenção honrar o compromisso de conceder aos pilotos uma participação no capital da empresa, variando entre os 10 e os 20%, Pires de Lima respondeu: “o senhor jornalista acredita que tivéssemos acordado ceder parte da empresa ou repor as diuturnidades com efeitos retroativos e isso não tivesse ficado escrito no acordo?”

“Na reunião que tive com todos os sindicatos, houve duas condições que deixei claro que não eram negociáveis: a primeira era a privatização da empresa e a segunda era a cedência de 20%, ou até 20%, do capital da TAP aos trabalhadores”, acrescentou.

O ministro referiu que esta greve não levará à suspensão da privatização, mas “afetará muitíssimo a vida económica da TAP e a sua sustentabilidade”, devendo a TAP demonstrar “vitalidade e coesão”. Pires de Lima apelou aos pilotos que reconsiderem a sua posição “em nome da palavra dada (…) e daquilo que assinaram com o governo português”.

Fonte: Jornal de Negócios | Fonte (imagem): Miguel Baltazar / Jornal de Negócios

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