França e Reino Unido unem esforços em Calais contra a imigração clandestina

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Os ministros do interior de França e Reino Unido assinaram um acordo de combate à crise humanitária em Calais e à “pressão migratória” que se faz sentir na região. O reforço da segurança nas zonas de acesso ao Eurotunnel e da vigilância sobre essa área, bem como a criação de programas de combate ao tráfico de pessoas são algumas das linhas condutoras do plano de ação traçado pelas duas nações. Entre tais medidas inclui-se o reforço das equipas de busca de carga. Calais registou este verão um recorde de tentativas de entrada em Inglaterra através do Eurotunnel, as quais ocorrem, nomeadamente, através da invasão de camiões, um cenário já experienciado por empresas portuguesas como a Patinter e a Transportes Paulo Duarte.

O governo britânico vai destinar dez milhões de euros, em dois anos, para acelerar pedidos de asilo e aumentar a ajuda humanitária aos migrantes e refugiados em Calais, norte de França, foi hoje anunciado.

O acordo franco-britânico, que prevê o reforço da cooperação policial contra as redes de imigração clandestina, foi assinado pelo ministro do Interior francês, Bernard Cazeneuve, e a homóloga britânica, Theresa May, na cidade portuária francesa.

O Reino Unido deverá conceder “meios suplementares” para garantir a segurança nos acessos ao túnel sob o canal da Mancha, gerido pela Eurotunnel, indica o acordo.

Os dois países vão também criar um “comando unificado”, para lutar contra as redes de imigração clandestina, e uma “equipa conjunta” para aumentar o afastamento dos migrantes ilegais.

No plano humanitário, o acordo prevê “intensificar a observação” dos migrantes e refugiados para “identificar os mais vulneráveis e potenciais vítimas de traficantes”, nomeadamente mulheres e crianças, para os informar e colocar em locais seguros.

“Isto implica capacidades de alojamento e cuidados para impedir o acesso a estas populações vulneráveis de todos aqueles que procuram explorar” estas pessoas, indica o texto do acordo.

A ideia é também favorecer os regressos voluntários aos países de origem, com a criação de campanhas de informação e programas de ajuda ao regresso.

O acordo quer aumentar a capacidade de tratamento dos pedidos de asilo e neste âmbito “o governo britânico vai conceder uma ajuda (…) para criar alojamentos adequados, situados a uma distância significativa de Calais”. O objetivo é “diminuir a pressão migratória” nesta região.

Em relação às medidas de segurança, “o Reino Unido vai garantir meios” para reforçar a segurança dos locais de acesso ao túnel e ajudar a Eurotunnel a “aumentar os efetivos das equipas de segurança”. Uma nova sala de controlo vai ser criada e “serão destacadas equipas suplementares de busca da carga, 24 sobre 24 horas e sete sobre sete dias, para reduzir o número de passageiros clandestinos”, indica o documento.

Para lutar contra as redes de migração clandestina, as polícias e autoridades de controlo das fronteiras “comprometem-se a reforçar ainda mais a colaboração operacional”. O “comando unificado” visará “dissuadir e erradicar as atividades criminosas” dos contrabandistas, e a troca de informações será favorecida.

A nível internacional, os dois países querem intensificar o diálogo com os países de origem, e acordaram organizar “uma conferência de acompanhamento em Paris, com os restantes Estados-membros da UE, se possível até final do ano” e apoiar a Grécia e a Itália nos centros de triagem entre refugiados e migrantes económicos irregulares.

Antes da assinatura do acordo de cooperação bilateral, Cazeneuve e May declararam “a determinação” em lutar contra as “redes da imigração clandestina”, durante uma visita ao local de entrada no túnel sob o canal da Mancha, no norte de França.

“Os contrabandistas devem saber que vão ser identificados, apanhados pela justiça e punidos (…), que estamos determinados a atuar para acabar com este tráfico abjeto, que origina tragédias humanas e mortos”, disse Cazeneuve.

Milhares de migrantes oriundos do Médio Oriente, África ou Ásia chegam a Calais, depois de terem atravessado toda a Europa, para tentar entrar no Reino Unido, cujas portas se mantêm fechadas.

A tensão nesta zona conheceu um pico neste verão, com centenas de tentativas, todas as noites, de entrar nas instalações do túnel sob a Mancha, percorrido por comboios de transporte de camiões.

Durante o verão, o número de tentativas de entrada subiu até às 1.700, mas no início da semana desceu para entre 100 e 200, de acordo com as autoridades locais e a Eurotunnel.

“É preciso que um sinal muito forte seja enviado daqui, Calais, de que não se pode passar a fronteira que gerimos em comum, no âmbito de uma cooperação absolutamente exemplar entre os nossos dois países”, insistiu o ministro francês.

Theresa May também sublinhou a necessidade de “esmagar os grupos criminosos” de contrabandistas e destacou “a redução” das passagens clandestinas. “Mas o trabalho deve continuar”, disse.

Fonte: LUSA | Fonte (imagem): Romain Berthaud

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