“Está quebrada a confiança do mercado na TAP”, afirma o presidente da APAVT

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Depois de Passos Coelho, de Pires de Lima e da administração da TAP é agora a vez do presidente da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), Pedro Costa Ferreira, reagir à decisão ontem anunciada pelo sindicato dos pilotos de decretar uma greve de 10 dias. O responsável da Associação enumera as consequências comerciais que esta paralisação pode ter e conclui: “está quebrada a confiança do mercado na TAP”. Planeada para o mês de maio, a marcação da greve foi justificada pelo sindicato como forma de protesto pelo incumprimento de alguns dos pontos estabelecidos no Acordo de Empresa.

Os pilotos da TAP, reunidos na quarta-feira em assembleia-geral do Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC), decidiram que vão convocar uma greve para o período de 1 a 10 de maio, por considerarem que o Governo não está a cumprir os acordos assinados em dezembro de 2014 e em 1999.

Esta nova greve vai provocar “um esvaziamento de reservas” na companhia aérea, não só para o período da greve como também nos meses seguintes, avisou hoje Pedro Costa Ferreira, contactado pela Lusa, acrescentando que a situação não se vai alterar “enquanto não houver um acordo público e notório” que torne claro para o mercado que a TAP consegue cumprir “de forma efetiva” os transportes previstos.

“Os agentes de viagens têm obrigação de cuidar para que nada de mal aconteça aos seus clientes”, sublinhou o presidente da APAVT, explicando que, enquanto se mantiver a incerteza sobre a estabilidade laboral na companhia, as agências irão evitar marcar lugares na transportadora aérea portuguesa.

“Acompanhámos um processo similar há quatro meses e estávamos convencidos de que se tinha chegado a um acordo. Alguém andou a brincar connosco”, lamentou também o mesmo responsável.

Quanto às consequências para os passageiros, o presidente da APAVT disse que neste momento têm mais flexibilidade do que num período de Natal ou Ano Novo para alterar as datas da viagem, “provavelmente noutra companhia que não a TAP”, ou mantendo as datas, “para mudar de transportadora”.

Pedro Costa Ferreira mostrou-se mais preocupado com o futuro da companhia aérea, uma vez que “a greve acontece na situação de maior fragilidade financeira da empresa dos últimos anos”.

“Se a TAP não aguentar, teremos um enorme tropeção no setor, no país e na economia”, sublinhou.

Questionado ainda sobre qual dos lados considera que tem a culpa nesta situação, afirmou que “alguém saberá”, não a associação, mas as consequências “serão devastadoras”.

Num comunicado emitido na semana passada, a direção do SPAC informou que “o processo negocial entre o sindicato, a TAP e a PGA, no âmbito do compromisso subsidiário do acordo ratificado com o Governo em 23 de dezembro de 2014 chegou a um impasse insanável, por motivos estritamente imputáveis à TAP, à PGA e ao Governo”.

Em causa, estão as pretensões dos pilotos sobre as diuturnidades e sobre a obtenção de 20% do capital da companhia aérea, aquando da sua privatização, que deverá estar concluída até ao final desta legislatura.

Fonte: LUSA | Fonte (imagem): Bruno Simão / Jornal de Negócios

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