Condução automatizada vai trazer grandes mudanças ao transporte de carga

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A condução autónoma vai mudar de forma decisiva a circulação rodoviária e essa mudança começará pelo transporte de carga. O vaticínio é feito por José Viegas numa entrevista para o Valor Econômico (órgão de comunicação social brasileiro). O secretário-geral do Fórum Internacional de Transportes (ITF) explica as vantagens desta tecnologia para os negócios de transporte e reflete sobre o trabalho de prevenção e requalificação que é necessário começar a planear tendo em vista alguns profissionais deste setor.

 *Texto escrito segundo as normas do português do Brasil.

A direção autônoma de automóveis vai mudar radicalmente o transporte rodoviário de cargas num futuro próximo. Segundo o secretário-geral do Fórum Internacional de Transportes (ITF), José Viegas, é esse o setor em que primeiro deve ocorrer a massificação dos veículos que não precisam necessariamente de um condutor.
De acordo com Viegas, três caminhões autônomos da alemã Mercedes-Benz já conseguiram autorização do governo e operam comercialmente nas estradas do Estado americano de Montana. A princípio, os caminhoneiros estão lá, acompanhando o processo, o que não deve ser mais necessário em dois ou três anos.
“Isso vai ter importância decisiva na redução os custos do transporte rodoviário de mercadorias”, disse Viegas ao Valor. “Hoje, na Europa, os caminhoneiros representam cerca de metade do custo do frete de longa distância.”
Para Viegas, um dos principais limitadores desse tipo de transporte é o número de horas de trabalho do motorista. “Se você não tem motorista, essa limitação não existe. Então, você vai ter caminhões que vão circular 23 horas por dia”, afirmou.
Questionado sobre a satisfação os sindicatos de caminhoneiros com tal inovação tecnológica, Viegas admitiu que “isso traz complicações dramáticas no emprego, mas não adianta resistir”.
“Do Rio de Janeiro a Salvador, por exemplo, são 3.000 km. Se você tiver essa tecnologia e eu não tiver, você vai ter um custo que é 30% a 40% abaixo do meu. No dia seguinte, eu estou fora do mercado”, afirmou. “É por isso que eu digo que vai ser uma propagação muito mais rápida [dessa tecnologia]no caminhão do que no automóvel particular.”
Viegas sugere a criação de um fundo para ajudar na recolocação e requalificação dos caminhoneiros, que tendem a desaparecer com a nova tecnologia. “Por que, em vez de tentar resistir a essa força de progresso que é inevitável, os sindicatos não dizem: vamos pegar em 20% essa poupança e afetar ela a um fundo que permita fazer a requalificação e a reforma antecipada dos motoristas?”, questiona.
Segundo ele, a indústria está tentando convencer a União Europeia e a associação dos transportadores europeus a começar a trabalhar juntos num projeto sobre o tema. “Tem de ter, desde já, o envolvimento dos sindicatos na busca da solução e não no evitar desse desenvolvimento, que é inevitável”, disse. “Isso é algo que tem de ser tratado antes de a tecnologia estar no mercado, não depois.”
Fonte: Valor Econômico / Fabio Murakawa / Portos e Navios

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