CGTP critica falta de investimento na EMEF para construção de material ferroviário

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CP Carga e EMEF são duas das empresas ligadas ao transporte ferroviário cujos concursos de privatização já foram desencadeados. A decisão, sobretudo no caso da EMEF, suscita alguma incompreensão entre trabalhadores e também as críticas do secretário-geral da CGTP. Segundo Arménio Carlos, a Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário tem capacidade de produzir material ferroviário circulante, mas acusa a falta de investimento nessa produção, o que tem como efeito torna-la menos competitiva.

O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, reiterou hoje as críticas contra a privatização da EMEF e defendeu que a empresa deve ser alvo de um investimento próprio que lhe permita começar a construir material ferroviário circulante.

“A CGTP é contra a privatização desta empresa, é contra o esvaziamento de que está a ser alvo mas, mais do que isso, considera que esta empresa tem todas as condições (…) para merecer um investimento próprio, que assegure um projeto que, para além da manutenção, comece a estar disponível para construir material ferroviário circulante”, afirmou o dirigente sindical no final de um plenário dos trabalhadores das oficinas da EMEF em Matosinhos.

Para Arménio Carlos, “dentro de pouco tempo obrigatoriamente que as composições quer da CP quer da Metro de Lisboa ou do Porto terão que ser renovadas”, sendo então necessário “uma empresa em Portugal com ‘know-how’ e o projeto técnico necessários para dar resposta a essa mesma solicitação”, como o é o caso da EMEF — Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário.

A capacitação da EMEF com investimento é, na opinião do dirigente sindical, “um instrumento indissociável não só para definir uma estratégia de desenvolvimento ferroviário do país, mas também para assegurar a criação de riqueza, de emprego e também o desenvolvimento do próprio país”.

Frisando não ser “um dado adquirido” que a privatização da EMEF “vá para a frente”, o secretário-geral da CGTP adiantou estar agendada para o próximo dia 21, em Lisboa, “uma concentração na Praça Luís de Camões, com desfile para a Assembleia da República, contra as privatizações” e que irá contar com “trabalhadores da EMEF de todo o país e trabalhadores de empresas como Carris, Metro, Transtejo, Soflusa, STCP e TAP”.

Segundo Arménio Carlos, “há um sentimento generalizado dos trabalhadores que não entendem como é que uma empresa com estas capacidades [EMEF] pode ser privatizada”.

“Porque é que o privado está interessado nestas empresas? O privado quer é o lucro e por isso é que quer a EMEF”, referiu Nelson Ferreira, membro do sindicato dos trabalhadores da EMEF, há 26 anos na empresa.

O responsável defendeu que a empresa tem “capacidade de fabrico de material circulante ferroviário desde que haja vontade política e investimento nesse setor”, pelo que entende a privatização como um caminho para “acabar com a concorrência para que outras empresas multinacionais estrangeiras possam ter esse monopólio”.

No dia 21 seguirá para Lisboa, para a concentração com os trabalhadores da EMEF e de outras empresas do setor dos transportes, para dizer ao Governo que não aceita “este rumo que eles delinearam para estas empresas”.

Os decretos-lei que aprovam os processos de reprivatização da CP Carga e da EMEF foram publicados a 06 de maio em Diário da República, confirmando que a operação vai ser feita por venda direta.

O modelo prevê uma operação de venda direta de referência, a um ou mais investidores, individualmente ou em agrupamento, nacionais ou estrangeiros, com perspetiva de investimento estável e de longo prazo, assim como uma oferta pública de venda de 5% para os trabalhadores das duas empresas.

Fonte: Notícias ao Minuto

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