ANTRAM quer reunião de 2000 transportadoras para discutir agravamento de impostos sobre os combústiveis

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O Orçamento de Estado de 2016 foi redefinido, impondo medidas particularmente pesadas para alguns setores, como o agravamento dos impostos sobre os combustíveis. Em resposta a Associação Nacional de Transportes Públicos Rodoviários (ANTRAM), pretende ouvir as transportadoras suas associadas antes de tomar uma decisão “vamos fazer uma reunião nacional no fim-de-semana a seguir ao Carnaval para sabermos o que pensam as 2000 empresas associadas sobre este agravamento de impostos que se concentra no nosso sector” porque “não podemos ser só nós a pagar toda a austeridade, nem sermos só nós a suportar os acordos negociados no Orçamento de Estado”, afirma Gustavo Paulo Duarte, presidente da ANTRAM.

Quando o sector foi solidário com o buzinão na ponte, “ganhámos algumas medidas que vinham sendo propostas ao longo de muito tempo, mas que nunca nos tinham sido consagradas, só que, posteriormente, voltámos a perder tudo, e hoje estamos numa situação desfavorecida face à concorrência internacional, que tem mais e melhores condições que nós”, refere Gustavo Paulo Duarte.

“Somos o motor das exportações e trabalhamos mais fora de Portugal do que no mercado nacional, pelo que não faz sentido estarmos a abastecer gasóleo que custa mais 17 a 20 cêntimos por litro que o preço normal em Espanha”, diz Gustavo Duarte.

“Além disso, em Espanha há gasóleo profissional o que aumenta a diferença de preços em relação ao que pagamos em Portugal”, explica o presidente da ANTRAM.

“Só as 15 maiores empresas do nosso sector – quem tem 2000 empresas associadas – abastece cerca de 20 milhões de euros por mês de gasóleo, um valor que incorpora 62% de impostos, por isso não é justo, nem lógico que ainda sejamos mais agravados, mais carregados em impostos e, se isso acontecer, a diferença de preços para o gasóleo abastecido em Espanha será de um euro por cada quatro litros de gasóleo”, diz o responsável associativo.

“As questões técnicas devem ser debatidas de forma construtiva, mas parece que em Portugal só se entende um discurso diferente, e se for esse o entendimento manifestado por todos os associados daqui a dois fins-de-semana, será esse o diálogo que a ANTRAM adotará”, refere Gustavo Duarte. “Vamos ver o que dizem os nossos associados”, refere.

“Em último caso, se for incomportável concorrermos com as empresas espanholas, não teremos outra alternativa senão mudarmos as nossas empresas para Espanha e passarmos a atestar a totalidade dos nossos camiões nos postos de abastecimento espanhóis”, comenta o presidente da ANTRAM.

Fonte: Expresso

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